sexta-feira, 16 de novembro de 2012

dança bonita (da série: amores possíveis)



nossa vela amarela.
primeiro, uma chama era.
depois chegou a ser duas, quatro...
mesmo na trindade se ensaiou.
foi chama pequena, grande,
foi uma, foi muitas, variadas chamitas,
até que novamente se unificou
— pra morrer em prece
por tudo quanto se passou...

(nossa vela amarela
não amarelou:
ela foi todos os possíveis
do que conhecemos,
ou pensamos conhecer,
  como amor.)

sina (da série: é preciso ter coragem de ser feliz)

ah, por quis
— ou: por que quero? —
enganar d.eu.s?
por que quis me enganar
ou enganar os m.eus?...
quisera não pensar!
quisera não sentir!
mas como o curador ferido,
     é minha a sina de não me iludir,
é minha a saga de não vacilar:
possam mudar os sentidos,
não deixe eu de dar ouvidos
à sua eterna setença: sempre amar! 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

tristezinha (da série: amig@s, amores...?)

nenhum lugar em mim me conforta.
é como um deserto, porém chove
de lágrimas minhas.
lá fora o céu é azul, de um azul tão bonito
que é quase um pecado a tristeza.
não sei de onde ela vem,
não sei pra onde ela vai...
mas quero muito que essa tristezinha
me deixe
em paz.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

presente (da série: amores por viver)

um pensamento bom para ti: mar e estrela.
que te chegue como um presente.

tenho tido vontades de morrer (da série: é preciso ter coragem de ser feliz)



tenho tido vontades de morrer.
não – não tenho tido vontade de me matar:
tenho tido vontades de morrer.
de poder me sentir e não me perturbar,
de poder fluir sem ser ou sem será...
de sair da corrente do tempo
e do que criei pra me prender,
de me lançar na fluência do tao
e simplesmente estar...
tenho tido muito vontades de morrer
(acho que numa distração dessas
                                é bem capaz do Eu me encontrar...                         ).

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

meu escritório é na rua (da série: é preciso ter coragem de ser feliz)


meu escritório é na rua
meus companheiros, os gatos
quem me conta coisas é o vento
quem me cobra é o próprio trabalho


que trabalho, por sinal, é tudo:
o respirar
o varrer
o digerir
o lavar
(cumprimentar os vizinhos)
o pensar
 o escolher
o ser feliz
(o se esquecer um pouquinho)
o ter preocupações
ou o divagar

(apesar de haver,
e há!,
os relatórios muitos por fazer
enquanto a vida teima em me chamar...)

meu escritório é na rua
de frente pro verde que me atravessa
em meio ao cimento erguido e à pressa
dos que passam (e não me notam)
imersos na sua luta,
imensa.

(fazendo relatórios na área da casinha na tianguá, 779)