terça-feira, 18 de agosto de 2015

nada além do instante (da série: amores presentes)



não preciso me casar
com meus traumas.
não preciso fazer guerra
com a minha alma.
não preciso crer
nos meus medos,
não preciso me suicidar
porque a morte chega tarde ou cedo.


não preciso buscar
o que já tenho.
não preciso me apequenar
por saber que o que me rege é tremendo!
não preciso querer seguranças
que não se pode dar
nem estar “certa”
pra poder amar.


não preciso de nada além
do instante
onde desenho o tempo da delicadeza
que me devolve a mim
e, no encontro com o Outro,
me leva adiante.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

ode ao amor (da série: é preciso ter coragem)

nada deporei contra o amor.
possa em quem eu o projetar
me encher de dissabor:
nada deporei contra o amor!

o amor é a coisa mais linda deste mundo.
o amor abre portas nunca antes imaginadas.
o amor cura feridas por demais cauterizadas.
o amor descortina, desenvenena, descerra, desvenda.

o amor é a única saída pra esse mundo.
o amor, só amor, salva.
e para o amor, o cotidiano mais simples
pode ser alvo do desejo mais profundo.

eu acolho o amor.
eu saúdo o amor.
eu sou grata ao amor.
eu sou amor.

terça-feira, 7 de julho de 2015

dor...me (da série: série nenhuma)

e o mundo dorme.
os gatinhos dormem.
os cachorros dormem.
os vizinhos dormem
e as vizinhas, creio eu, também...
o dia dorme
e a noite chega prenha,
como quem por ter a lua
fosse já avó!
a rua toda dorme.
o comércio dorme
mesmo que algumas lojas teimem
em não fechar.
os cinemas dormem
mesmo que as por assinatura
e os virtuais não cansem
de imagens circular...
a vila dorme.
a tianguá dorme.
acho que o mundo inteiro dorme
sabendo eu que inteiro é só mais uma imagem,
entre tantas, perdida...
a vida, será, que dorme?
talvez.
como antiga lembrança.
antigo amor.
antiga dor.
como tudo que
dor...
me.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

do tempo e das cores do incerto (da série: série nenhuma)


um dia tão bonito!

um azul tão firme!

uma quase certeza no ar...

e no entanto, é tudo o mesmo.

ah, como muda

esse tempo interno

para quem o instante

é às vezes eterno,

para quem

o mutante

é não raro

decerto

para quem

o constante

tem as

cores

do

in

se

to.

(ops! 

do

in

cer

to

...)

quarta-feira, 17 de junho de 2015

sobre o tempo e o amor (da série: série nenhuma)



deixe ela.

deixe ela.

tudo tem seu tempo.



tão precioso esse silêncio.

tão precioso não ter um tostão!

tão precioso tudo.



aquilo que a gente escolhe

não deve ser preterido

só porque não se entende.



deixe o não entendimento chegar.

deixe ele assentar.

deixe ele descansar.

quando quiser, ele fala.

e aí tudo se transforma num clarão

tão grande

que a gente nem mais entende

é como é que não percebeu

tudo ali às claras!



deixe ela.

deixe ela.

tudo tem seu tempo.

até o tempo de nada ser.

tudo tem seu tempo.

terça-feira, 16 de junho de 2015

sobre os gatos do quindim (da série: é preciso ter coragem de ser feliz!)


que coisa inútil, os gatos!

comem, deitam, dormem.

por vezes, rolam uns sobre os outros,

brincam de gatinhos”...

comem-se também uns aos outros

e quanto barulho fazem,

deslocando telhas e alugando ouvidos!

às vezes simplesmente brigam

e devoram-se.

que coisa inútil!

um céu azul e um bando de gatos

de todos os tamanhos a se espraiar ao sol.

a indústria seria outra,

o desenvolvimento não teria fim

se se pudesse ao menos recrutar os gatos!

já imaginaram? toda uma população de felinos

que hoje se maltrata, se executa,

se dá fim,

transformada numa mola do progresso!

ôôô!

que coisa mais inútil, os gatos!



(ah, a inutilidade um dia!

a grata felicidade de não ter nenhuma serventia...)

quinta-feira, 14 de maio de 2015

tempos (da série: amores presentes)

tem o tempo de ficar e o tempo de ir.

tem o tempo de acalmar e o de se rir.

tem o tempo da plantação e o da colheita.

tem o tempo do improviso e o da receita.

tem o tempo de ser sério e o da fluidez.

tem o tempo da desiderada e o da sensatez.

tem o tempo de te amar e o do silêncio.

tem o tempo de ter tempo ― e o do movimento.