quarta-feira, 22 de agosto de 2012

meu escritório é na rua (da série: é preciso ter coragem de ser feliz)


meu escritório é na rua
meus companheiros, os gatos
quem me conta coisas é o vento
quem me cobra é o próprio trabalho


que trabalho, por sinal, é tudo:
o respirar
o varrer
o digerir
o lavar
(cumprimentar os vizinhos)
o pensar
 o escolher
o ser feliz
(o se esquecer um pouquinho)
o ter preocupações
ou o divagar

(apesar de haver,
e há!,
os relatórios muitos por fazer
enquanto a vida teima em me chamar...)

meu escritório é na rua
de frente pro verde que me atravessa
em meio ao cimento erguido e à pressa
dos que passam (e não me notam)
imersos na sua luta,
imensa.

(fazendo relatórios na área da casinha na tianguá, 779)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

do inusitado (da série: é preciso ter coragem de ser feliz)

um guarda-sol.
e do sertão da bahia 
à praia do futuro,
um furo:
em dia de iemanjá,
tudo cabe - 
até o absurdo
de se ver o furtado
retratando
o furto.

mas bonito mesmo
é o povo.
no sertão
ou no mar,
não há inusitado
que me faça reclamar:
eu vejo a vida
e a vejo bela -
e tudo enquanto
possa me encantar.

 

quarta-feira, 25 de julho de 2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

do verbo haver (da série: é preciso ter coragem de ser feliz)



há que deixar os sentimentos apascentarem
e decantarem, como quem decanta um líquido
e esperar o tempo deles descansarem
enquanto correm e nos percorrem como um rio

há que deixar morrer o que já não pulsa vivo
e há que revivescer o que supostamente morto ainda vive
há que se abrir ao novo e ao que nos chega livre
desamarrar da dor, da raiva e do perigo

há que simplesmente ser, sem mas, porém ou todavia
ser simplesmente e feliz reconhecer-se a despeito!
há que não crer no que nos ditam as ladainhas
do contrário do amor, que é só o medo

há por ciência que desaprender
os condicionamentos todos que tod@s vamos ter
e há que reaprender a estar
consigo mesm@ independente do tempo que fará

há (porque outro verbo não se adéqua mais)
de haver o que poeta diz: mais compaixão!
e chegar um dia ao que só o perdão faz
mas sem mais necessidade de perdão, de sim ou não: só paz!

terça-feira, 12 de junho de 2012

da série: amores por se viver

(ilustração de marcos venícius)
a gente não sabe como o amor se faz.
sabe é que ele se faz.
um dia, alguém que você nunca imaginou 
pode chegar e dizer:
estou a fim de você.
e aí as barreiras de gênero, geração ou o que for
não sabem mais o que ser.
o que fala é a vontade do encontro
ou a vontade de nada,
o surpreendente do assombro
diante da noite calada.


domingo, 10 de junho de 2012

da série: é preciso ter coragem de ser feliz

um dia,
em que acordarei sem a sensação de perda,
poderei talvez compreender
a perda
sem que ela me cause dor.
um dia.
um dia, talvez, em que já tenha aprendido
a ressignificar o amor...

domingo, 3 de junho de 2012